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ARTIGOS
01/04/2025
Música Sertaneja: história da música Ana Rosa

Amigo amante da música sertaneja hoje você vai conhecer um pouco da história da música Ana Rosa.
Ana Rosa se casou com apenas 15 anos e foi a segunda mulher de Chicuta - não há registros sobre a primeira. Nos cinco anos em que durou a união, o casal viveu em uma fazenda na região de Avaré, a 77km de Botucatu.
Cansada de apanhar e ser maltratada pelo marido, conhecido por ser agressivo e ciumento, ela aproveitou uma viagem a trabalho dele para fugir de casa, tendo recebido ajuda de um velho escravo do marido.
“O escravo roubou um cavalo da fazenda e levou Ana Rosa para Botucatu, onde a moça tinha uma tia que era costureira em um cabaré, local em que também morava”, narra Moacir. “O plano de Ana Rosa era passar uns dias com a tia até conseguir fugir para o Sul do país e sumir para sempre do marido”.
Quando voltou de viagem, Chicuta descobriu a fuga. Matou o escravo que ajudou Ana Rosa e seguiu para Botucatu em busca da mulher. Tentou tirá-la à força do cabaré, mas foi impedido pela tia de Ana Rosa e pela dona do bordel, Fortunata Jesuína de Melo.
Furioso, Chicuta contratou dois capangas e bolou um plano: um deles, José Antonio da Silva Costa, o Costinha, se aproximaria de Ana Rosa, conquistaria a confiança da jovem e diria conhecer uma comitiva de tropeiros que poderia levá-la até o Paraná.
O plano deu certo e, na madrugada de 21 de junho de 1885, ela seguiu com o moço para a região do Rio Lavapés, direto para a emboscada que resultaria na sua morte.
Os assassinos foram a julgamento, mas Chicuta foi absolvido, alegando ter cometido o crime em defesa de sua honra. Costinha, por ser de uma família rica da região, também foi absolvido. O único condenado foi o capanga Hermenegildo Vieira do Prado, conhecido como Minigirdo, filho de escravos.
Pouco tempo depois, os três envolvidos com o assassinato de Ana Rosa também morreram de forma trágica: Minigirdo foi o primeiro, tendo contraído varíola na prisão e ali morrido. O segundo foi Costinha, que foi esmagado por uma árvore enquanto a cortava. O último foi Chicuta que, ao consertar o carro de boi em que viajava, uma das rodas do veículo passou sobre seu pescoço e o matou degolado. Devotos de Ana Rosa costumam atribuir ao espírito da moça as mortes de seus algozes.
A tragédia de Ana Rosa chocou a pacata Botucatu do século 19, que compareceu em peso no seu enterro. Mais de 130 anos depois, o túmulo da moça - uma construção rosa modesta localizada no Cemitério Portal da Cruzes - ainda é preservado pelos moradores da cidade.
Mais que empáticos à tragédia da jovem, muitos ali são devotos de Ana Rosa, considerada milagreira na região. Seu túmulo tem mais de 200 placas em agradecimento de pessoas que afirmam ter alcançado graças por intercedência dela. Mas Ana Rosa não é considerada santa pela Igreja Católica.
Por mais de 70 anos, a história de Ana Rosa foi passada de geração em geração de forma oral, até que, em 1957, a dupla sertaneja Tião Carrero e Pardinho gravou uma música que conta a tragédia da jovem, descrevendo Chicuta como um “caipira bastante atrasado” que “batia na pobre mulher com a vara de ferrão de bater no gado”. Intitulada Ana Rosa, a composição é do cantor e compositor Carreirinho, nascido em Bofete, município a 45 km de Botucatu.
Amigos, semana que vem tem mais sobre a nossa música sertaneja, grande abraço.
(*) LUIZ HENRIQUE PELÍCIA (Caipirão) tem o programa “Clube do Caipirão” transmitido para mais de 450 rádios em todo o Brasil diariamente. Apresenta de segunda a sábado das 04h às 08h da manhã o programa “Diário no Campo” pela FM DIÁRIO 89,9 de São José do Rio Preto/SP. Caipirão escreve às terças-feiras para o jornal DIÁRIO DE PENÁPOLIS.
Luiz Henrique Pelícia (Caipirão) (*)
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