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ESPORTES
07/01/2018
CANTINHO DA SAUDADE
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Memórias do Carboni: Discussão, temporal e bebidas desperdiçadas
Um lugar em que fomos bem prejudicados foi no vilarejo de Santo Antonio das Perobas, perto da cidade de Bady Bassit. O campo de futebol era rodeado de laranjais e quando lá estivemos era época de safra e as laranjeiras estavam carregadas de frutos maduros. Ao chegarmos já fomos alertados pelo diretor do time local que havia uma ordem expressa do proprietário proibindo a retirada de uma só fruta que fosse, mas, eu não posso garantir que a ordem foi acatada, já que muitos integrantes da nossa turma sumiram por encanto, possivelmente para dentro do laranjal. O jogo do aspirante foi normal, mas no titular o juiz “apelou” e muito. Nosso time naquela época era forte e bom e o juiz fazia de tudo para nos prejudicar, ajudado por um dos bandeiras, tão corrupto igual ele. O jogo estava empatado por 1 a 1, quando o juiz anulou um gol legítimo nosso e ainda expulsou o Vardo de campo. Como era previsível, houve muita reclamação, empurra-empurra, os ânimos de ambos os lados se exaltando, a situação foi ficando séria e tudo indicava que poderia descambar para uma briga de verdade. Foi ai que aconteceu uma intervenção meteorológica que felizmente mudou o desfecho daquela contenda. O céu estava carregado de grossas nuvens, mas, não chovia até aquele momento. Quando o alvoroço entre as duas partes ficou mais agitado, de repente começou um temporal com forte vento e muita água que todos acharam mais interessante se esconder da chuva do que brigar. Corremos para o ônibus e os torcedores e alguns jogadores do aspirante que estavam jogando baralho em um bar próximo se juntaram a nós. Viemos embora sem receber a garantia combinada e nunca mais voltamos lá e nem eles aqui. Doutra feita fomos jogar na Fazenda Santa Clara, situada quase chegando a cidade de Promissão. Como eu já narrei em outras ocasiões, era comum os times visitantes ganharem como brinde um litrão de pinga e raramente isso não acontecia. Como foi na época em que tínhamos um salão de forró, o famoso “vai quem quer”, eu costumava levar uma bebida extra mais amena, para complementar aquela que recebíamos. Quando íamos jogar pela primeira vez em um campo, como era o caso da Santa Clara, ficávamos em dúvida se os dirigentes da equipe local tinham o bom costume de presentear os visitantes. Como já era sabido, mesmo vencendo a partida, se não tiver uma birita ao fim do jogo, parece que a vitória não tinha o mesmo sabor. É claro que as bebidas que eu levava eram para o final do jogo e eu sempre recomendava para que ninguém desse uma de sabido e tomasse alguns goles escondido antes do combinado. Por um bom tempo essa recomendação foi acatada. Porém, sempre tem um porém, nesse jogo da Santa Clara, um jogador teve a infeliz idéia de abrir e beber um pouco de um litro de vermute branco. Quando acabou o jogo do aspirante, eu entrei no ônibus e vi o que tinha acontecido. Perguntei e ninguém soube ou não quis dizer o nome do autor. Eu estava disposto a dar apenas uma repreensão no culpado, mas, como não obtive uma resposta satisfatória, simplesmente abri o litro de vermute branco e outro litro de vermute tinto e despejei seus conteúdos pela janela do ônibus. Diante dessa cena ninguém disse nada, mas notava-se em todos um semblante triste e desanimador, sendo que um ou outro ainda quis correr para o lado do ônibus para tentar aproveitar alguma coisa da bica que caía, mas, não deu tempo. Depois desse dia, raramente levei mais bebida e após tanto tempo ainda não sei o autor da arte. Como miséria pouca é bobagem, nosso anfitrião não deu nada para beber e o pessoal voltou na maior secura.
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