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03/06/2018

CANTINHO DA SAUDADE

Imagem/Arquivo Pessoal
Detalhes Notícia

Memórias do Carboni: Casos de família – inocência

Meu neto tinha mais ou menos de 5 para 6 anos de idade, quando ficou sabendo que iríamos jogar lá na Reserva Indígena do Icatú, no município de Braúna, e manifestou grande vontade de ir e satisfazer a curiosidade de conhecer e ver ao vivo como era um indígena, já que ele só os conhecia através de documentários televisivos. Nós já fomos jogar lá inúmeras vezes, desde a década dos anos 70 e conhecíamos bem como era o local desde a primeira vez em que lá estivemos até os dias atuais. Houve grandes modificações na parte física da aldeia com a construção de uma escola, vestiário para a equipe local, quadra para futsal e a construção de dez novas casas de alvenaria, visto que novas famílias estavam se formando e havia o déficit de moradias. Muitos dos participantes destas primeiras visitas já morreram, tanto de um lado como do outro. Pois bem, o menino foi todo contente e esperançoso, mas quando chegou lá teve uma espécie de decepção e desapontamento. Havia muitas pessoas ao redor do campo, com homens batendo bola e mulheres e muitas crianças conversando e brincando a sombra de um bambuzal e todos com roupas normais e decentes, como um homem ou uma mulher devem usar. Como eu disse, meu neto estava acostumado a ver índios apenas em documentários pela televisão, com todo mundo praticamente pelados, com as bundas a mostra e as índias com as tetas balançando e quando ele viu os índios do Icatú vestidos como os brancos, ele se virou para mim e disse meio desapontado: “Hei vô, aqueles ali não são índios não, são gente”. Ele falou aquilo na sua inocência de 5 ou 6 anos de idade, mas pior fez a Igreja Católica por ocasião do descobrimento e início da colonização do Brasil, quando os líderes da Igreja diziam e acreditavam que os índios não tinham alma. Um outro caso de inocência aconteceu com um dos meus irmãos, quando ele estava entrando na pré-adolescência. Naquele tempo ainda não havia rede de distribuição de água tratada e nem de coleta de esgoto na região do bairro de Fátima, onde morávamos e por isso, as necessidades físicas eram feitas sobre uma fossa negra, como eu já contei em artigos anteriores. Normalmente essas fossas ficavam lá no quintal e tinham o nome de privada. Lá para o centro da cidade, havia a coleta de esgoto e as casas possuíam seus lugares apropriados para o asseio e as necessidades pessoais de cada um e tinha o nome de banheiro, com o vaso sanitário, chuveiro, lavatório, água encanada, bem diferentes das privadas. Mesmo em alguns locais onde não havia a coleta de esgoto, as famílias mais abastadas também possuíam seus banheiros iguais aos outros, cujos dejetos eram jogados na tal fossa negra. Estes banheiros podiam ser tanto dentro das casas (o mais comum) ou em um cômodo ao lado. Lá em minha casa o quintal era grande e a privada se localizava no fundo, e, meu irmão não conhecia outro sistema para se “aliviar” que não fosse aquele. Mesmo sendo apenas um menino, ele gostava de andar muito e tinha o costume de ir até a casa de nosso avô materno, que ficava ao lado do estádio municipal, a cerca de um quilômetro de distância. Um dia ele voltou todo “borrado” e contou para a nossa mãe que lá na casa do avô sentiu forte necessidade de evacuar e veio rapidinho para casa só que não deu tempo de chegar e ao atravessar a ponte do córrego Maria Chica foi vencido pela força fisiológica e borrou as calças. Nossa mãe perguntou porque ele não tinha pedido ao avô para usar o banheiro dele. Meu irmão, que só conhecia a famosa privada de fundo de quintal, olhou para ela e assustado respondeu: “Mãe, eu fiquei com vergonha. Lá eles fazem coco dentro de casa”. Na foto, algumas mulheres e crianças do Icatú. 

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